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5.01.2026

A Onda que se Ergueu no Mar (Ruy Castro, 2001)


A Onda que se Ergueu no Mar (Ruy Castro, 2001)
 Subtítulo: Novos mergulhos na Bossa Nova
Companhia das Letras, 2001
BIBLIOTECA
Leituras 2019

Dez anos depois de ter escrito Chega de Saudade, a história da Bossa Nova, Ruy Castro volta ao local do crime para revelar ao leitor muitas outras histórias e personagens ligadas a esse importante movimento musical. Mais um livro de leitura obrigatória e empolgante de Ruy Castro. Um único senão: o preconceito do autor em relação à música popular dominante a partir dos anos 50, cuja matriz é o rock americano. Este trouxe uma revolução nos papéis de quem faz música e o intérprete separado do compositor quase desapareceu. O cantor-compositor passou a ser dominante, sobretudo no rock/pop, bastante menos na música soul. A música popular brasileira (MPB e não só) continua até hoje a manter uma organização do trabalho artítico semelhante ao que acontecia no início do século 20. Até os hits do brock foram apropriados por grandes intérpretes da MPB... A Onda que se ergueu do mar mereceu já, em 2017, uma edição revista e aumentada (com mais de 90 páginas face à primeira edição de 2001). E até ganhou o subtítlo de Novíssimos mergulhos na Bossa Nova. Há capítulos dedicados a Tom Jobim, João Gilberto, Nara Leão, Dick Farney, Lucio Alves, Johnny Alf, João Donato, Orlando Silva, Tenório Jr. (e os músicos do samba-jazz) e... Brigitte Bardot, que protagonizou um dos episódios mais sexy da saga da Bossa Nova. Leitura 2019 Viagem Paris/Porto 5/5

4.27.2025

Da Bossa Nova à Tropicália (Santuza Cambraia Naves, 2001) etc

Da Bossa Nova à Tropicália (2001)
Autora: Santuza Cambraia Naves
Editora Zahar 2001
NT

João Gilberto [Mello 2001]
BIBLIOTECA

Dorival Caymmi - O Mar e o Tempo (Editora 34 col. «Todos os Cantos», 2001,  2ed. 2014)
BIBLIOTECA


6.06.2023

Bastidores (Rodrigo Faour, 2001)

1° Bastidores (2001)
Cauby Peixoto: 50 Anos da Voz e do Mito
Record 2001
BIBLIOTECA

Não deve ser fácil biografar Cauby Peixoto. Senhor de uma das maiores vozes da música brasileira, Cauby Peixoto não tem, parece-me, uma discografia à altura dessa fama. O problema foi sempre o repertório que o cantor privilegiou e a forma idiossincrática do seu canto, digamos, pouco disciplinada, que não melhorou com o tempo. Ao longo do livro de Rodrigo Faour, somam-se os elogios dos colegas e repete-se a comparação com Frank Sinatra, que me parece absurda (Sinatra foi muitas vezes perfeito). Faour sai-se muito bem na forma como aborda a vida e a obra de Cauby Peixoto. Contextualiza perfeitamente os períodos desiguais da sua carreira, chamando a atenção para o estatuto do cantor decorrente das mudanças no mercado e no gosto do público. Narra muito bem a relação de Cauby e do seu agente-criador Di Veras, uma personagem quase tão fascinante quanto a do cantor. Os anos em que gravou para a Columbia (anos 50), com as viagens aos EUA e o fanatismo das fãs, é a melhor fase do cantor. As poucas gravações que conheço dessa fase são soberbas; aí sim, justificam-se todos os elogios dos colegas, muitos deles marcados na adolescência pelo cantor de Conceição. A partir dos anos 60 atravessa um deserto de público e de crítica. O seu público mais fiel, essencialmente feminino, nunca o abandonou e ele foi também fiel à versatilidade que demonstrou desde o início da carreira: cantou sempre o que quis e lhe apeteceu, cantou em várias línguas e abusou de um repertório romântico que não raras vezes resvalou para o kitsch. Mas Faour tem razão quando afirma que Cauby conseguiu sobreviver numa época cujas formas de cantar preferidas (bossa nova, rock/pop) voltavam costas ao estilo dos cantores do rádio. Nos anos 60 esse estilo ficou de repente velho e até alvo de troça. Elizete Cardoso foi talvez a única desses cantores que manteve o seu estatuto inalterável (mas ela nunca foi popular como Cauby ou Angela Maria). Subiu o morro (cantou magnificamente samba) e ao mesmo tempo cantou sempre a nata dos clássicos brasileiros. Cauby mudou demasiado de gravadora, cantava em qualquer lugar e descuidou o repertório. No início dos anos 80 viveu um renascimento artístico promovido pela indústria musical e confirmado pelos seus colegas artistas. Um livro excelente. Leitura no verão de 2016: 4/5

Drama (Rodrigo Amarante)