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8.29.2026

Carmen (Ruy Castro, 2005)


Carmen, de Ruy Castro, é um dos melhores livros escritos no Brasil sobre personalidades da música ou do cinema. E Carmen Miranda é um dos brasileiros que mais mereciam um trabalho desta envergadura. Nos anos 30 ela foi a maior cantora brasileira, era muito popular e ao mesmo tempo amada pelos compositores mais exigentes. Ninguém como ela traduzia a brejeirice e a malícia de muitos sambas da época. Era uma enorme intérprete das composições populares mais extrovertidas, mas nunca foi uma cantora de voz extensa. As composições mais líricas não eram o seu forte. Mas as gravações que deixou são um tesouro da cultura brasileira.

Em 1939, com o sucesso retumbante de O que é que a baiana tem?, de Dorival Caymmi, foi convidada pelos americanos a actuar nos Estados Unidos. Nunca mais voltaria a trabalhar com continuidade no Brasil e nunca mais gravou nada de relevante assim que começou a sua carreira americana. Passou a ser então uma genial entertainer no país que levou mais longe este perfil artístico sui generis. Talvez Carmen nunca tenha sido tão impressionante e genial como nos palcos. Na América não foi nem uma grande cantora, nem uma grande atriz, mas durante alguns anos (coincidentes com a segunda guerra) foi um dos artistas mais bem pagos do showbizz.
Para além das gravações de discos no Brasil (anos 30), o outro legado de Carmen que chegou até nós foram os musicais da Fox. Foi uma das rainhas do tecnicolor durante a guerra e a sua presença nos filmes era e é impagável e inacreditável. Lutou muito para não ser reduzida pela máquina de Hollywood a mais uma morena latina (de língua espanhola) histérica e irracional. Propôs e construiu a sua própria máscara, exótica, kitsch e excessiva. Era puro entertainment. Leitura: maio de 2015 Nota: 5/5 BIBLIOTECA 

Antônio Carlos Jobim. Uma Biografia (Sérgio Cabral, 1997)

Antonio Carlos Jobim deve ser o maior nome da música brasileira. Certamente o mais universal, o grande responsável pela internacionalização da cultura brasileira. O samba é o húmus da música brasileira, mas foi a bossa nova (um samba económico) que se infiltrou primeiro no jazz e mais tarde nas músicas de dança dos anos 90. E Jobim está por trás desta revolução que ainda não teve fim. Por isso esta excelente biografia escrita por Sérgio Cabral deve estar entre os primeiros livros a ler sobre música brasileira (outro poderá ser a história da bossa nova por Ruy Castro). Jobim foi um compositor imediatamente consagrado nos EUA mas as viagens ao estrangeiro, que ele fazia apenas pelo trabalho, nunca o afastaram da realidade brasileira, pelo contrário, as suas principais referências, os seus mestres, eram brasileiros (além de uns quantos americanos e franceses) e os artistas contemporâneos que ele mais admirava eram brasileiros, como Chico Buarque. O pai de Jobim era escritor e, apesar de não ter conhecido o pai, a literatura tornou-se foi uma das paixões do compositor. A exigência de letras de grande qualidade, em português e em inglês, foi uma constante do trabalho de Jobim. Um dos seus grandes desafios foi encontrar boas versões em inglês das suas músicas. Embora tivesse sido um renovador da música popular brasileira, a sua música fechou um período muito especial da história da música, através da assimilação da lição dos grandes mestres do passado (Villa-Lobos, Ari Barroso). Jobim surgiu nos EUA como o grande herdeiro dos mestres do american songbook, num momento em que eles desapareceram com o advento do rock. Jobim é exatamente contemporâneo deste estilo revolucionário, mas nada teve a ver com ele, aliás detestava-o. Apesar de ser acusado por alguns de americanizado, Jobim foi sempre um compositor brasileiro nas referências, e a influência estrangeira na sua formação vinha do passado. Sérgio Cabral escreveu uma biografia completa, equilibrada, mas penso que falta aprofundar a vida americana de Jobim. Muitas citações de personalidades que trabalharam ou se cruzaram com Jobim não foram recolhidas por Cabral para o livro, mas já existiam em revistas, discos, depoimentos, e foram aproveitadas por ele. Sabemos por exemplo da rotina de Jobim no Rio, que aliás não muda ao longo dos anos, a não ser o nome dos bares frequentados, mas pouco sabemos da sua rotina americana, para além de permanecer em casa (ou hotel) e ir para os estúdios gravar. Foi uma das coisas que me surpreendeu: Jobim nunca se mudou para os EUA como Carmen Miranda. Só ia lá a trabalho. Jobim é de tal forma gigante que merecia uma biografia monumental, como a de Mahler, em vários volumes. Tal como está escrita por Cabral, está muito bem. Leitura (2016) em Vila do Conde 5/5

8.10.2026

Chiquinha : La dame en noir de la musique brésilienne (2025)

Chiquinha : La dame en noir de la musique brésilienne
Autores: Helena Crudeli, Jean-Paul Delfino
Istya & Cie Editions 2025
BIBLIOTECA

7.31.2026

Erasmo Carlos - Minha Fama de Mau (2009)

Erasmo Carlos -  Minha Fama de Mau (2009)
Autobiografia de Erasmo Carlos
Editora Objetiva, 360p, 10.2009
BIB

Renato Russo, O trovador solitário (Artur Dapieve, 2000)

Renato Russo, O trovador solitário
(Artur Dapieve, 2000)
Relume-Dumará Coleção Perfis do Rio 2000
BIBLIOTECA

Wilson Batista, na corda bamba do samba (1996)

Wilson Batista, na corda bamba do samba
(Luis Pimentel, 1996)
Relume-Dumará Coleção Perfis do Rio nº16 137p, 1996
BIBLIOTECA

Antônio Maria – Noites de Copacabana (1996)

Antônio Maria – Noites de Copacabana
(Joaquim Ferreira dos Santos, 1996)
Relume-Dumará Coleção Perfis do Rio nº4, 1996
BIBLIOTECA

Nássara -O perfeito fazedor de artes (1999)

Nássara -O perfeito fazedor de artes (Isabel Lustosa,  1999)
Relume-Dumará Coleção Perfis do Rio 1999
BIBLIOTECA

Nelson Cavaquinho - Enxugue os Olhos e Me Dê um Abraço (2000)

Nelson Cavaquinho - Enxugue os Olhos e Me Dê um Abraço
(Flávio Moreira da Costa 2000)
Coleção Perfis do Rio Relume-Dumará 160p, 2000
BIBLIOTECA

Zeca Pagodinho, A Vida que se Deixa Levar (2003)

Zeca Pagodinho, A Vida que se Deixa Levar
(Luiz Fernando Vianna, 2003)
Relume-Dumará 126p 2003
BIB

7.18.2026

Discobiografia João Nogueira (Luiz Fernando Vianna, 2012)

 
Discobiografia João Nogueira (Luiz Fernando Vianna, 2012)
Casa da Palavra SambaBook 2012
BIBLIOTECA

7.10.2026

ADONIRAN. Dá licença de contar... (2002)

ADONIRAN. Dá licença de contar...
(Ayrton Mugnaini Jr., 2002)
Editora 34 Todos os Cantos 2002
BIBLIOTECA

Inezita Barroso (Arley Pereira, 2013)

Inezita Barroso (Arley Pereira, 2013)
Editora 34 Todos os Cantos 2013
BIBLIOTECA

Maria D'Apparecida – Negroluminosa voz (2020)

Maria D'Apparecida – Negroluminosa voz: Esboço Biográfico
BIBLIOTECA
Autor: Mazé Torquato Chotil
Ed. Alameda 2020

Leitura 2023 Paris 3.5/5

Carmen Miranda Foi a Washington (1999)

Carmen Miranda Foi a Washington (1999)
Autora: Ana Rita Mendonça
Record 1999
BIBLIOTECA

Maestro Soberano. Ensaios Sobre Antonio Carlos Jobim (2017)

Maestro Soberano. Ensaios Sobre Antonio Carlos Jobim, organizado por Luca Bacchini (UFMG 2017)
BIBLIOTECA

Histórias de Canções – Tom Jobim (2012)

 
Histórias de Canções – Tom Jobim
(Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira, 2012)
Editora Leya 320p 12.2012
BIBLIOTECA

6.24.2026

Quelé, a voz da cor: Biografia de Clementina de Jesus (Raquel Munhoz, 2017)

Quelé, a voz da cor: Biografia de Clementina de Jesus
(Raquel Munhoz, 2017)
Ed. Civilização Brasileira 2017
NT

Reprodução de resenha de Mauro Ferreira, 29/01/2017
Biografia de Clementina é (re)lançada 30 anos depois da morte da cantora
Editado em 2012 sem qualquer distribuição comercial, somente como resultado da conclusão de trabalho realizado por quatro jornalistas na Universidade Metodista de São Paulo, o livro Quelé, a voz da cor – Obra e legado de Clementina de Jesus está sendo relançado em escala nacional neste mês de janeiro de 2017 pela editora Civilização Brasileira, do Grupo Record. Com outra capa e outro subtítulo (o atual é Biografia de Clementina de Jesus), o livro de Felipe Castro, Janaína Marquesini, Luana Costa e Raquel Munhoz conta a vida e obra da cantora fluminense Clementina de Jesus (7 de fevereiro de 1901 – 19 de julho de 1987). Primeira biografia da artista, o livro é relançado 30 anos após a saída de cena dessa cantora revelada em 1964 por Hermínio Bello de Carvalho. Elo entre o Brasil e a ancestralidade africana, Clementina lançou onze álbuns entre 1965 e 1982, sendo que alguns desses belos discos foram trabalhos coletivos. No livro, que expõe na contracapa breves depoimentos de Teresa Cristina e Mariene de Castro, os autores detalham os discos, as glórias e as lutas de Clementina de Jesus, uma das cantoras mais importantes do Brasil.
1ª edição, não comercial
(2012)

5.01.2026

Vinicius de Moraes. O Poeta da Paixão (José Castello, 1994)

Vinicius de Moraes. O Poeta da Paixão (José Castello, 1994), 1ª ed. Companhia das Letras 1994
BIBLIOTECA

Carmen. Uma Biografia (Ruy Castro, 2005)

Carmen. Uma Biografia (Ruy Castro, 2005)
Companhia das Letras 1ª ed. 2005
BIBLIOTECA
Leitura 

Vencedor do Prêmio Jabuti de "melhor biografia" 
e "melhor livro de não-ficção" em 2006

CARMEN. UMA BIOGRAFIA (Ruy Castro, 2005)
Companhia das Letras 1ª ed. 2005
BIBLIOTECA
Leitura 

Vencedor do Prêmio Jabuti de "melhor biografia" 
e "melhor livro de não-ficção" em 2006

CARMEN. UMA BIOGRAFIA (Ruy Castro, 2005)
Palavra 2006
NT



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