Fui finalmente ver a tão celebrada exposição Génesis, de Sebastião Salgado, na Maison Européenne de la Photographie. Uma exposição de 245 fotografias que ocupa toda a Maison, sobrando apenas um corredor onde se expõem recentes aquisições da MEP de jovens fotógrafos brasileiros.
Génesis é um projeto de Salgado que levou oito anos a ser concretizado, com o qual o fotógrafo pretendeu visitar e registar pela imagem fotográfica os locais do planeta não tocados pelo homem "civilizado". As imagens que mais me impressionaram foram as que mostram apenas a Natureza sem o homem (tribos neste caso). São a maior parte, aliás. Não me lembro de ter visto fotografias do mundo natural a preto e branco, e todo o trabalho de Salgado é a preto e branco. Essa opção origina desde logo uma impressão de estranheza quando vemos as fotos. Além disso, Salgado fotografa a Natureza forçando os limites da estética, ao ponto da saturação estética. Temos fotografias que são autênticas serigrafias e outras que são telas abstractas. Poucas vezes, perante uma exposição de fotografia, me interroguei tanto sobre a técnica fotográfica, pois o impacto do trabalho de Salgado reside muito nas texturas e na gradação do branco e preto que ele propõe. Ele fotografa o nosso planeta mas propõe um outro planeta, nascido do seu olhar e saber. Pode ter intenções ecológicas e humanitárias, mas a estética prima sobre o documental. Por vezes, a Natureza desaparece completamente restando apenas o traço do trabalho do fotógrafo. Sabemos que é um registo da Natureza pois está inserido na exposição, organizada por grandes regiões geográficas. Muitas vezes, bela é a fotografia, não o que é fotografado. O que é um desafio para o fotógrafo, pois a Natureza é fotogénica, garante facilmente belas imagens e o fotógrafo tem de superar essa facilidade.
Adorei esta exposição. Paris 11.2013: 5/5